Divagação

Ver, só ver

Ontem uma aluna, entusiasta do haicai e do cinema, indicou um filme coreano, que já estava em andamento no canal Arte 1, com o suave intertextual título Poesia — deveras pertinente a nosso papoético. Sintonizei e segui dali adiante, mas saltei antes do fim. E, assim como os signos em semiose, como tudo aquilo que é eterno, munido só do miolo não hei de me propor a resenhá-lo. Abordo a mim mesmo.

“Pra escrever poesia você deve ver. A coisa mais importante na vida é ver”, avisa o professor do curso de Literatura que a protagonista resolve frequentar. Bem ao encontro do nosso exercício de observar a pedra, por exemplo, nas Oficinas de Haicai. A pedra presente — não a pedra sabida, lembrada. E também do que disse Quintana, a respeito de serem poetas os leitores de poesia. São os olhos, não as mãos. É uma coisa no olhar. Uma mancha. Mas não uma nódoa. Uma marca azulada, uma membrana nictante como a das aves e répteis, um azulecimento de céu e, às vezes, profundo azul abissal.


[POESIA (Shi) – Coreia do Sul – 2010.
Direção e roteiro: Lee Chang-dong]
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